O autoritarismo de Dias Toffoli: quase um ditador sem poderes

Lá vou eu implicar com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

Será que isso é cyberbullying contra autoridades? Mas fazer o que, se ele só me dá motivos? José Antonio Dias Toffoli, o eterno advogado do petismo, insiste em agir como se a Corte fosse o Olimpo e ele um semideus.

Falo caros leitores, sobre a decisão do dito-cujo de tomar ilegalmente dados sigilosos de quase 600 mil pessoas e empresas, incluindo até mesmo autoridades brasileiras.

Ele pediu que o Banco Central enviasse cópia dos relatórios de inteligência financeira produzidos pelo antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), atual UIF (Unidade de Inteligência Financeira).

A medida tem como base processo em que Toffoli suspendeu, em ação monocrática, o compartilhamento sem autorização judicial de dados detalhados do Coaf, Banco Central e Receita Federal com órgãos de investigação.

Coisa descabida, que sofreu com duras críticas.

Parte da agenda de impunidade imposta pelos “excelentíssimos”.

Como a decisão beneficiou diretamente o senador Flávio Bolsonaro, além da própria esposa do ministro Dias Toffoli, Roberta Maria Rangel, e a esposa do também ministro Gilmar Mendes, Guiomar Mendes, logo se entendeu tratar-se de coisa estranha.

Pois bem!Toffoli agora vai além, ultrapassando os limites da sensatez.

Não quer só aquilo que não deveria ter, quer saber quem por direito teve acesso.

Contestado pelo procurador-geral da República, o ministro não só reiterou o pedido de acesso aos dados, como também o ampliou.

Agora ele quer saber quem no Ministério Público Federal (MPF) teve acesso aos dados sigilosos.

Isso tem nome: abuso de poder.

O autoritarismo de Dias Toffoli — quase um ditador sem poderes — desafia a opinião pública.

Explico: A sanha autoritária do presidente do Supremo só faz aumentar a rejeição popular contra a Corte.

E isso não é coisa de “robô de Twitter”, como pensa o ministro Gilmar Mendes (comento em outra oportunidade).

Ainda que o procurador-geral, Augusto Aras, tenha agido com cortesia ao apontar como “medida demasiadamente interventiva” o pedido de Toffoli, eu não o serei.

Tomou medida abusiva, autoritária e quase que ditatorial.

Só não o é porque não está com essa bola toda.

Foi Abraham Lincoln quem disse: “Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”.

Ao que parece, o poder pode ter subido à cabeça de Toffoli.

Pediu acesso aos dados sigilosos.

Não esclareceu bem os motivos pelo qual pediu.

Agora quer saber quem mais teve acesso.

Aras ainda alertou a Toffoli que sua “medida desproporcional que põe em risco a integridade do sistema de inteligência financeira, podendo afetar o livre exercício de direitos fundamentais”.

Será que é preciso avisar que as pessoas tem direito ao sigilo?
Categoria:Opinião