A confiança tem o poder de construir relacionamentos duradouros

Walter Mischel conduziu uma pesquisa em 1960 em que crianças de 4 anos foram colocadas individualmente numa sala livres para comer um marshmallow, mas que poderiam ganhar um segundo se aguardassem a volta do pesquisador que se ausentava da sala por um breve momento.

Essa pesquisa é muito conhecida e divulgada, mas funciona muito bem para dar sustentação sobre o papel da confiança nas relações pessoais.

Como é de se esperar algumas crianças comeram o marshmallow imediatamente, outras titubearam um pouco até cederem à tentação e abocanharem a guloseima e umas esperaram o pesquisador para ter direito a segunda saborosa recompensa.

Fato é que 14 anos após a pesquisa, Mischel concluiu que as crianças que aguardaram pela recompensa se tornaram pessoas mais confiáveis, autossuficientes e leais.

Passados tantos anos após esse estudo, quando nos deparamos com o cenário a volta, percebemos que a confiança continua sendo um princípio inalterado para o convívio na sociedade.

Estudo da Towers Perrin em 2004, mostrou dados alarmantes feito com mil trabalhadores nos EUA.

Um deles é que apenas 44% dos colaboradores nível júnior, acreditavam que seus empregadores estivessem falando a verdade.

90% dos que responderam à pesquisa afirmaram estar abertos a ouvir a verdade a respeito da empresa e de seu trabalho.

Outro dado que chama a atenção é o fato que 48% responderam que as informações transmitidas por seus líderes imediatos são mais confiáveis que as dos CEOs das empresas.

Aqui no Brasil quando se toca nesse assunto sempre há as alegações que é assim que se joga o jogo, há o aspecto da cultura da malandragem, do jeitinho brasileiro etc.

Certo é que há justificativas de sobra para agir na penumbra das meias verdades, das omissões em prol de resultados imediatos.

Felipe Martins, amigo de longa data, está desenvolvendo pesquisa de doutorado sobre ética no ambiente corporativo pela UDESC em Florianópolis, SC e não são poucas as histórias que ele tem para contar sobre o impacto da confiança nas relações trabalhistas.

A clareza e a objetividade sempre serão as melhores formas de se conduzir uma comunicação.

Eufemismos, números maquiados, falácias não duram sempre.

A realidade sempre vai se impor diante do indivíduo.

Nosso cenário político nacional e no mundo afora está aí para provar.

Esquemas e mais esquemas sendo desmontados um a um.

Empresas que foram tidas como exemplo do espírito empreendedor do brasileiro, mas que não passavam de fachada para mega esquemas de mentira e corrupção.

Bruna Martinuzzi em seu livro “The Leader as a Mensch: Become the Kind of Person Others Want to Follow” dá algumas dicas preciosas:Rever e resolver as promessas não cumpridas.

Manter o foco naquilo que importa.

Vale reforçar a mensagem a ser passada para e equipe com clareza.

Às vezes é necessário de falar isso muitas vezes.

A reputação de uma pessoa é como a sua marca.

Boas marcas são confiáveis, por não confundir os consumidores, por ter um padrão na comunicação e nas atitudes.

O cuidado com a reputação passa necessariamente pelo zelo com a confiança.

Cuidado com a bipolaridade.

Fica difícil cultivar a confiança em alguém imprevisível e que o humor vive como se fosse uma montanha russa.

Saiba selecionar e resolver algumas questões cara a cara.

Algumas merecem esse cuidado.

Isso ajuda a fortalecer os laços de confiança.

Para equipes remotas/virtuais, utilize os meios de comunicação com vídeo, tão em moda de hoje: Skype, Hangout, Facebook etc.

Desenvolva a empatia.

Líderes que causam medo em seus liderados, não gozam de grande nível de confiança.

A empatia envolve entender a ansiedade do outro e esforçar-se para amenizá-la.

Dado o tempo e os investimentos feitos em pessoas, profissionais envolvidos para motivar equipes, a confiança é assunto da maior seriedade senão pelo aspecto ético-pessoal, mas pelos custos e perdas envolvidos com a quebra de confiança ou falta dela.

Quem tem filhos pequenos sabe como eles confiam nos adultos a ponto de se jogarem de alturas nos braços dos pais.

Elas correm o risco de se estatelarem no chão apenas confiando que seus pais as ampararão nos braços.

Por outro lado, é normal que um pai dê sua vida para amparar seu filho.

Essa é uma boa ilustração de confiança de ambas as partes.

Um que faz o que faz confiando que não vai se estatelar no chão e o que tem ciência da responsabilidade que repousa em suas mãos.

Não é preciso dizer que os profissionais não precisam ir a tais extremos, mas cultivar a confiança no ambiente corporativo tem consequências a longo prazo.

Tem a ver com a longevidade da corporação, a garantia de investimentos e manutenção de um ambiente profissional saudável.

Confiança é um poder que influencia e inspira.

É construída duramente por anos e só tende a fortalecer com o passar do tempo.

No final, todos sabem como é gratificante trabalhar com alguém de confiança.

Assim deveria ser no ambiente de convivência da Igreja.

Deus, o todo poderoso, nos confia – nós, sendo pecadores e cheios de falhas – a tarefa de sermos seus embaixadores aqui na terra (2 Coríntios 5:20).

Esse é o comportamento que deveríamos tomar como modelo em nossas escolhas.

Confiar mais, porque não tem como prevermos quem vai nos trair e rotular a todos como suspeitos da nossa confiança.

Sabemos que o nosso relacionamento com Deus passa pelo relacionamento com nossos irmãos, assim como nos ensina o apóstolo Paulo em Colossenses 3:13 que diz: “Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também”.

Por isso, sempre é bom rever nossas atitudes, que muitas vezes tem menos a ver com espiritualidade e mais com comportamento humano puramente.

Como sugere o livro de Bruna Martinuzzi, se você não tem encontrado pessoas de confiança ultimamente, comece você, sendo essa pessoa confiável que espera encontrar, pois já estará fazendo a diferença nesse mundo a partir de uma atitude sua.

“Os que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre” (Salmos 125:1).

Confiar no Senhor vai te tornar parecido com Ele.

Parecido com Ele, você terá a paz e mansidão para confiar no seu irmão e mais que tudo: se tornará a pessoa de confiança que todos esperam encontrar.

Homem de uma só palavra, de ânimo constante que carrega em si marcas do Senhor Jesus Cristo.

(Gálatas 6:17)
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